Dicas importantes para superação de traumas psicológicos.

Vale apena compartilhar alguns aprendizados extraídos dos exemplos de superação dos pacientes que tive a oportunidade de atender ao longo dos vinte anos de clínica:

1. Durante o evento estressor tentar, se possível, dialogar internamente e elaborar o que está ocorrendo.

2. Evitar a autovitimização. O que você diz para si e para os outros sobre o que ocorreu pode tanto aliviar quanto exacerbar o sofrimento. A fixação em diálogos internos do tipo “Isso é injusto” ou “Não poderia ter acontecido comigo” dificulta o investimento na busca de recuperação e favorece a continuidade da dor.

3. Os sinais psicopatológicos do trauma modificam-se ao longo do tempo, assim como a expressão de sua memória. É possível fortalecer a confiança de que a dor será superada, seja encontrando exemplos que sirvam de apoio, seja procurando ajuda especializada.

4. Ter confiança no bem. Quem acredita que o futuro trará conforto, vive melhor o presente. Quando se descobre a importância de seguir adiante, o trauma perde a força.

5. Estudos mostram que quem possui uma boa base religiosa consegue minimizar a dor. Buscar conforto na religiosidade, respeitando suas crenças, pode aliviar o sofrimento. A crençaem um Deusacolhedor fortalece o amparo para seguir adiante.

6. Criar alianças positivas com a dificuldade, buscando o aprendizado que a experiência dolorosa pode trazer. Sínteses positivas predispõem e favorecem a superação psicológica.

7. Gerar novos objetivos de vida. Engajar-se em um novo projeto e tornar a própria experiência um veículo de propagação do bem tornam mais fácil superar o trauma.

8. Não responder ao trauma criando outro. Não se deve responder a uma situação de violência gerando mais violência. Exemplo: quem deseja matar o assassino do filho pode ficar mais traumatizado com seu próprio ato, que não aplaca a dor psicológica, mas a enfatiza.

9. Falar da dor, mas de forma adequada e com as pessoas certas. É preciso encontrar sentido para a superação do trauma. Buscar uma narrativa que sintetize os aprendizados de vida pode diminuir as expressões emocionais e sensoriais do trauma.

Trecho de entrevista concedida ao O site Abílio Diniz ((http://abiliodiniz.uol.com.br/abilio-diniz.htm))