Profissionais felizes são mais motivados e trazem melhores resultados

A felicidade começa a ganhar espaço no dia-a-dia do trabalho. Em meio à competitividade e pressão por resultados, as empresas estão dando cada vez mais atenção ao bem-estar dos funcionários. “Profissionais felizes são mais motivados, têm maior comprometimento e, por consequência, podem trazer mais e melhores resultados”, explica Julio Peres, palestrante, psicólogo clínico e Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

A cultura dos grandes centros urbanos com bombardeamento de informações, responsabilidades e objetivos, às ve­zes inexequíveis, propõe um estilo de vida competitivo contrário ao objetivo prometido de felicidade. “Muitos executivos se consideram bem-sucedidos profissionalmente, apesar de não gozarem de boa saúde e declararem insatisfação com a vida pessoal. O descontentamento pessoal afeta também a vida profissional com o passar do tempo, depreciando o desempenho e levando a um possível afastamento”, alerta Julio Peres.

As corporações estão começando a entender a importância de investir na felicidade do trabalhador, já que um funcionário insatisfeito rende muito menos e carrega uma negatividade que pode desmotivar também os demais. “É importante ressaltar que a satisfação não está ligada apenas à recompensa financeira, mas também a muitos outros fatores como justiça, cooperação, qualidade de vida e afetividade. Aumentar o salário ou a comissão por vendas, por exemplo, serve como estímulo, mas não é suficiente para garantir a permanência de um funcionário, ou uma equipe produtiva, motivada e harmoniosa”, esclarece o palestrante.

A área de Recursos Humanos está desenvolvendo técnicas e até mesmo índices para avaliar o nível de felicidade dos trabalhadores e descobrir quais as melhores práticas a serem executadas para reduzir ao máximo a infelicidade dentro das empresas. “O estado subjetivo chamado de felicidade abrange um conjunto dinâmico de vivências, como: momentos de prazer fugazes (surpresa agradável, almoçar, ouvir uma música, etc); satisfação com a vida, prazer mais duradouro (envolvendo o relacionamento diário com família, trabalho e amigos) e bem-estar perene (compreendendo estilo de vida, gratidão, motivação, contentamento íntimo, propósito e significado amplos para o dia-a-dia)”, explica Julio Peres. “A mudança de postura das empresas é um importante passo para a garantia de uma vida mais equilibrada, ética, coerente e, por consequência, mais feliz”, conclui.