Generosidade estimula crescimento dentro do mercado competitivo

Especialista explica como é possível prosperar sustentando valores

O mercado de trabalho está tomado por disputas. A competição, muitas vezes desleal, está presente no dia a dia profissional nos mais variados cargos e posições. Mas qual é a melhor maneira de agir dentro deste cenário para quem busca crescer profissionalmente? Em meio a tanta competitividade, há como prosperar com generosidade?

Para Julio Peres, palestrante e Doutor em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, a cultura dos grandes centros urbanos, com bombardeamento de informações, responsabilidades e objetivos, muitas vezes inexequíveis, propõe um estilo de vida competitivo contrário ao objetivo prometido de felicidade. Muitos executivos, por exemplo, se consideram bem-sucedidos profissionalmente, apesar de não gozarem de boa saúde e declararem insatisfação com a vida pessoal. Esses profissionais tendem ao adoecimento e afastamento do trabalho em médio prazo.

A organização World Values Survey abordou o sistema de valores humanos em mais de 60 países e mostrou que a felicidade, dentro ou fora do trabalho, está relacionada a uma maneira coerente de viver. Índices maiores de cooperatividade estiveram fortemente relacionados à felicidade e a motivação para produzir. A Neurociência também aponta para essa conclusão. “Estudos com neuroimagem funcional mostram que o bem-estar humano não é dirigido unicamente pelo resultado material, mas especialmente pela solidariedade, cooperação, caridade e justiça”, explica Julio Peres. “A sensação de bem-estar gerada pela generosidade impacta a melhor qualidade do trabalho”.

Um estudo sobre o altruísmo, publicado pelo economista William Harbaugh, em 2007, na Science, revelou significativa atividade neural nas áreas ligadas à recompensa. Outros estudos também têm demonstrado ativação das mesmas áreas fronto-mesolímbicas associadas ao bem-estar em resposta a atitudes generosas, leais e de cooperação em jogos competitivos. “Assim como indicam os estudos sobre felicidade, a Neurociência tem revelado que as pessoas que realmente se sentem bem, fazem o bem. O desenvolvimento da generosidade, da cooperação e do altruísmo estiveram relacionados tanto ao processo de crescimento pessoal e profissional, como a um estilo de vida consistente de felicidade”, conclui o palestrante.